O que é a
medula óssea?
A medula óssea, também conhecida como tutano, é um tecido
gelatinoso que preenche a cavidade interna de vários ossos e fabrica os
elementos figurados do sangue periférico como: hemácias, leucócitos
e plaquetas.
A medula óssea é, um órgão hematopoiético. Ela é constituída pelas
linhagens que originam os três elementos citados acima, de células que tomam
parte na fabricação do osso (osteoblastos e osteoclastos),
de células e fibras que compõem uma malha para sustentar todas as células
referidas (fibras e células reticulares). É onde estão as células
progenitoras das células sanguíneas. Ali também têm origem as
alterações que vão ser responsáveis por inúmeras doenças. No
homem adulto sadio produz cerca de 2,5 bilhões de eritrócitos, 2,5 bilhões de
plaquetas e 1,0 bilhão de granulócitos por kg de peso corporal.[1]
A medula óssea é constituída por um tecido esponjoso mole localizado no interior
dos ossos longos. É nela que o organismo produz praticamente todas as células
do sangue: glóbulos
vermelhos (Eritrócitos), glóbulos brancos (Leucócitos) e plaquetas (Trombócitos). Estes componentes do sangue são
renovados continuamente e a medula óssea é quem se encarrega desta renovação.
Trata-se portanto de um tecido de grande atividade evidenciada pelo grande
número de multiplicações celulares.
A medula óssea mantém-se em atividade intensa e ininterrupta para produzir
células sanguíneas e para isso depende de abundante e contínuo suprimento de substâncias.
Para elaborar novos glóbulos vermelhos ela aproveita restos de glóbulos
vermelhos envelhecidos e destruídos, ferro contido na hemoglobina
é reaproveitado.
A medula óssea também pode ser doada para transplante. O processo baseia-se
no transplante das células hematopoiéticas.
Diversos exames de medula óssea podem ser realizados através de biópsia para
diagnóstico de uma doença.
Como posso
ser dador de medula óssea?
Se tem entre
18 e 45 anos, 50 kg de peso (no mínimo), não é portador de doenças crónicas ou
autoimunes e não recebeu uma transfusão de sangue desde 1980 e gostava de ser
dador voluntário de medula, informe-se, junto do centro de dadores
(Centros de Histocompatibilidade do Sul, do Centro e do Norte) da sua região,
qual o hospital ou centro de saúde onde se pode dirigir.
Após
manifestar intenção de ser dador, deverá preencher um pequeno questionário
clínico que será avaliado por um médico. Caso não haja nenhuma
contra-indicação, vai ser chamado para fazer alguns testes. Se tudo estiver
bem, os seus dados serão guardados numa base informática nacional e
internacional.
O anonimato
e a confidencialidade são rigorosamente mantidos.
O que é o
CEDACE?
CEDADE é a
designação abreviada de Centro Nacional de Dadores de Medula Óssea, Estaminais
ou de Sangue do Cordão. Na prática, trata-se do Registo Nacional de Dadores
Voluntários de Células de Medula Óssea, criado em 1995, com o objectivo de
responder a doentes que necessitavam de um transplante mas não tinham dador
familiar compatível.
Como se
processa a colheita de células de transplantação óssea?
Existem dois
processos de colheita de células para transplantação de medula:
- Colheita a partir da medula óssea - Células progenitoras colhidas do interior dos ossos pélvicos. Requer geralmente anestesia geral e uma breve hospitalização;
- Colheita de células progenitoras periféricas - Colheita feita no sangue periférico, geralmente a partir de uma veia do braço, através de um processo chamado aférese, em que o dador tem de tomar previamente um medicamento que é um factor de crescimento que vai fazer aumentar a produção e circulação de células progenitoras no sangue periférico.
Além destes
dois métodos, existe ainda outra fonte de células progenitoras que são as
células do cordão umbilical. Neste caso, após consentimento prévio da mãe, as
células são colhidas do cordão umbilical quando o bebé nasce. O cordão
umbilical tem uma percentagem muito elevada de células progenitoras mas como a
quantidade geralmente é pequena, são utilizadas, sobretudo, na transplantação
de crianças.
Qual a
probabilidade de encontrar um dador compatível?
Considerando
todas estas abordagens, aproximadamente 80 por cento de todos os doentes
têm, pelo menos, um potencial dador compatível. Esta percentagem subiu
significativamente (em 1991 era 41 por cento) depois do esforço que foi feito
mundialmente no recrutamento de dadores. Só que nem todos os doentes para os
quais foi identificado um dador idêntico chegam à fase do transplante.
Pode um
dador desistir do processo após saber que é compatível com um doente?
Como
voluntário o dador não tem nenhuma obrigação legal. Um potencial dador com
compatibilidade com um doente que necessite de transplante de medula pode, por
diversas razões, retirar-se do processo. As decisões individuais serão sempre
respeitadas.
Contudo, uma
decisão tardia relativamente à desistência pode ter riscos muito graves para o
doente. Uma mudança de atitude no final do processo pode ser fatal para um
doente que está a fazer preparação para o transplante.
É
perfeitamente natural que apareçam duvidas, hesitações ou mesmo recusas quando
um dador é contactado. Mas depois de ponderados os prós e contras, o dador
deverá tomar uma decisão e saber que, se for alterada tardiamente, irá
afectar não só o próprio mas também o doente.
Quem paga o
processo da doação?
Todos os
procedimentos médicos que envolvem a doação são cobertos pelo subsistema de
saúde do doente, bem como as viagens e outros custos não médicos. Os únicos
custos que poderão vir a ser imputados ao dador são os referentes ao tempo que
necessita despender no processo de doação.
Só se pode
dar medula uma vez?
Não, a
medula é um tecido que se regenera rapidamente, pelo que é possível fazer mais
do que uma dádiva.
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